26/12/2006 15:26
ENTREVISTA COM O DIRETOR-PRESIDENTE DA
AÇÃO CULTURAL
JOSÉ DE OLIVEIRA SANTOS ZEZITO
Publicada na edição impressa do Informativo da Ação Cultural Março de 2006
JAC: Como surgiu a Ação Cultural?
ZEZITO: Surgiu efetivamente a partir das reuniões da Rede PROVAI (Rede de Agentes do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais), no ano de 2004. Na ocasião, reunimos artistas, produtores culturais da periferia e educadores, que concluíram que se fazia necessário criar uma entidade que possibilitasse a representação jurídica para fazer jus às exigências colocadas pelo poder público e pela sociedade em geral, no que diz respeito à busca de apoio e patrocínios para garantir a consolidação e ampliação das atividades culturais.
JAC: Quais as principais conquistas obtidas?
ZEZITO: No ano de 2004, ainda como Rede PROVAI, conseguimos a aprovação pela câmara de vereadores da lei que cria o programa VAI e que depende da FUNCAJU para que cumpra sua finalidade, que é destinar um pequeno subsídio financeiro para projetos culturais das comunidades.
Já como Ação Cultural, conseguimos realizar o I Fórum Popular de Cultura, em 2005, que resultou na Carta Cultural da periferia. Como eu disse numa reunião com artistas em Pirambu, a Carta nos aponta a direção que o movimento cultural deve tomar se quiser mudar os rumos dessa história de desinteresse e descaso que o poder público e uma parcela expressiva da sociedade têm pela cultura. Lembro de uma frase conhecida que diz: Nenhuma corrente de ar ajuda o navegador que não sabe aonde quer chegar. A carta nos dá pistas interessantes de aonde chegar (objetivos) e como chegar (método).
JAC: Que pistas são estas?
ZEZITO: Destaco como uma das mais importantes aquelas que tratam dos aspectos relacionados aos limites dos próprios artistas e produtores. Achei muito importante esse aspecto porque é mais fácil criticar e cobrar dos outros do que de nós mesmos. Considero um sinal de maturidade que espero contribua para um crescimento interno e interior dos agentes culturais; no primeiro caso enquanto segmento social, no segundo como indivíduos. Vale a pena transcrevermos algumas frases: É preciso superar o estrelismo e o individualismo existente no meio artístico; Falta amor próprio e auto respeito por parte dos artistas e produtores. Um exemplo é a falta de iniciativa de muitos artistas e grupos populares que ficam esperando o financiamento de projetos por parte do governo; Sofremos muito com o imediatismo do próprio artista, reconhecemos que precisamos nos organizar mais, e o fórum é o caminho para essa perspectiva de um futuro melhor; Há necessidade de se unir os grupos para fortalecer as ações culturais.
JAC: Quais são as perspectivas da associação para o ano de 2006?
ZEZITO: Esperamos realizar o fórum popular 2006 com uma estrutura maior. Para isso estamos enviando o projeto para as agências de cooperação e empresas estatais visando obter o apoio financeiro necessário. Como não é um projeto caro e que tem como objetivo buscar a capacitação de agentes multiplicadores para melhorar a qualidade dos trabalhos quanto aos aspectos metodológicos esperamos ser bem sucedidos. Trata-se de focalizar nesse segundo e nos próximos fóruns as questões relacionadas ao como fazer melhor, que é, nas palavras de Álvaro Pantoja, do Centro Nordestino de Animação Popular, um dos aspectos mais importantes para o sucesso de um projeto sócio-cultural. A Carta Cultural apontou alguns desafios nesses aspectos da metodologia e através das palestras e oficinas esperamos enfrentá-los.
JAC: Que desafios são esses?
ZEZITO: Mais uma vez é importante retomarmos a leitura da Carta: Ampliar o trabalho de conscientização da juventude na perspectiva de valorização da cultura popular; Produzir com qualidade e fortalecer a identidade cultural de nosso povo para atingir uma população com a mente massificada pela cultura de consumo imediato (a pasteurização cultural); Preparar pessoas competentes para trabalhar com cultura junto a crianças e jovens; Incluir mais jovens nas ações culturais com o apoio da sociedade.
O projeto do fórum 2006 se propõe a reunir artistas/intelectuais orgânicos que darão uma importante contribuição para nos ajudar a encontrar pistas, alternativas, dicas, etc. relacionados a essas questões.
A entrevista continua na próxima edição!
enviada por Zezito
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